street boys

2 provas hoje. Uma eu fui super bem e na outra um belo desastre. Nesse caso nem “belo” poderia ser, mas vamos fingir que foi. Tratei logo sair de lá. Saí. Com certeza hoje foi um dia bizarro. Desde o início da manhã até agora. Pois é moços.

Virei a esquina e fui andando um pouco mais, e mais. Gosto de chamar de o “trajeto da solidão”, porque todos os dias eu passo por ali sozinha. Mas eu não me incomodo, é até melhor. Porém geralmente eu passo totalmente desconectada, enterrada em outro mundo paralelo (até chegar na outra esquina para atravessar) e parece que hoje não foi bem assim. Bem, como sou uma pessoa totalmente não medrosa, escutei uma voz que parecia ser de um garotinho. Não pequenininho, porém grandinho. Tudo com inho porque sim. Logo que escutei um “ei, garota” já tive um pequeno infarto e fui pro céu e voltei nos mesmos segundos.

Eu tinha duas hipóteses: ou era um cara tentando me assaltar com uma arma na mão ou era alguém conhecido com uma voz irreconhecível. Errei feio. Lógico que não respondi na primeira chamada, mas resolvi deixar de ser idiota e olhar para trás. Havia um menino e mais um menino. Dois meninos. Parabéns para mim sei fazer conta de matemática, palmas senhoras e senhores, acabo de ganhar na vida.

Dois garotinhos. Estranhei. Estranhei porque se ao menos quase ninguém fala comigo no dia a dia, quem dirá no meio do meu trajeto. Mas tudo bem. Era um menino mais ou menos alto, moreno, magrelo e simpático. Nada mal. Se fosse um pouquinho mais velho seria melhor. 12 anos que ele tem, aliás.

Logo foi perguntando se eu estudava no mesmo colégio. Respondi que sim, que estudava no mesmo inferno. Mentira, apenas confirmei, vai que ele me acha uma satanista. Um pouco depois, me perguntou coisas do tipo qual o seu nome e em que ano você está. Respondi também. Um pouco mais a frente, surgiu um papo de família que sinceramente, não sei como surgiu. Esse menino é bem rápido, aliás.

Junto dele também tinha um menininho com o mesmo uniforme só que de cor diferente. Era bem pequeno, gordinho com um cabelo meio espetado e tinha sardas. Uma gracinha. Bem rápido também por sinal. E o engraçado é que logo quando vemos as crianças nós pensamos em inocência. Apenas pensamos. O garotinho é bem mais esperto do que eu imagino. E meio arrogante também, mas ficou no ar.

Decidi entrar um pouco na onda do interrogatório e perguntei se eles gostavam de alguma matéria. Os dois disseram “não”, risos. Talvez não estivesse tão conformada porque logo depois perguntei se ao menos eles não gostavam de educação física, já que tem futebol e esses troço aí. Balançaram a cabeça. Estranhei. Também não me perguntaram se eu gostava de alguma matéria, mas respondi mentalmente para mim mesma que amava história e artes. Que decadência ein filha.

O papo não demorou muito. Andamos mais uns 5 minutos e eu seguia um caminho para um lado e eles para outro. Talvez o menino só tenha me chamado para acompanhar eles no caminho, com medo de acontecer algo, ou talvez tenham gostado de mim (aham, sei). Ou do meu suéter preto. Nunca saberemos. Só sei que talvez o meu trajeto hoje não tenha sido tão solitário assim. E sei que devemos perguntar aos nossos professores de geografia como se saltita.