sozinho?

Pra mim, viajar não é somente pegar um carro ou um avião e ir a algum determinado destino dentro de algumas horas. Viajar pra mim tem vários e diferentes significados e diferentes destinos. Mas será que, em qualquer tipo dessas ‘viagens’, é tão legal ir.. sozinho? Totalmente sozinho, sem ninguém?

Eu tenho alguma porcentagem considerável de certeza, dependendo da viagem.. mas, e nas viagens físicas, será que é tão legal ou interessante? Do mesmo modo em que se você fosse com seus amigos ou familiares?

Talvez sim. Talvez não, mas.. sinceramente.. se formos analisar (se não quiser analisar, não precisa), sozinho deve ser uma experiencia e tanto. Digo ‘deve ser’ porque é algo que quero muito fazer e obviamente nunca fiz.

Quando se está com um grupão, a única coisa que vem à mente é um quarto de hotel bagunçado com uma gritaria e diversão entre as pessoas, e quando se está com a familia, imagino uma interação apenas com os presentes, seguindo um tal roteiro. Mas quando se está sozinho, eu penso em uma experiencia perigosa e interessante. Perigosa em todos os sentidos possíveis, e interessante também.

Não acho que essas opções sejam péssimas, pelo contrário…, mas existe uma no fundo que as vezes quer gritar e dizer: ‘eu também existo!!’, como uma criança pirralhenta.

Quando estamos sozinhos (estamos, não quando somos, que é algo horrível e bem diferente), nós, em algum momento, vamos refletir sobre tal desconforto ou conforto. Vamos pensar nos prós e contras. Em muitas coisas que as vezes não conseguimos parar, e uma dessas é a liberdade. Pelo menos pra mim.

A liberdade é ótima no dia a dia, mas deve ser melhor ainda em uma viagem. Nesse caso, liberdade tem vários significados para várias pessoas, mas aqui é o conceito de ‘o que eu enxergo sem outros fatores no meio?’

O que será que eu pensaria quando estivesse embarcando em um avião totalmente sozinha? Será que eu colocaria os fones e observaria a vista no céu ou prestaria mais atenção ao meu redor? Será que eu conversaria com alguém? Será que eu dormiria sem ver ou ouvir nada durante esse curto período de tempo?

O que será que eu pensaria ou sentiria se visse a torre eiffel, na minha frente, sem nenhum conhecido meu, somente desconhecidos, ao meu lado? O que será que eu pensaria ao ver uma loja no estilo local da cidade? O que será que eu sentiria ao passear na cidade à noite? Será que eu ia comer quieta no meu canto ou observaria as luzes se misturando com os carros e as pessoas? O que será que eu sentiria, sem nada me influenciando, sobre aquele lugar?

Essas são algumas das poucas perguntas que tenho a fazer se eu fosse me aventurar sozinha, são realmente muito poucas. Se eu farei isso um dia? Não sei. Mas sei que, quando/se fizer, minha cabeça vai estar totalmente diferente, assim como ela fica quando estou com a cabeça deitada no travesseiro esperando o sono aparecer.

Sozinho? Ah, quem sabe.

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‘as férias dos sonhos’

Meu deus……….faz muito tempo que não posto aqui…………………………….

Eu tenho vários motivos para não ter postado aqui, e um deles é algo abominável: a preguiça. Se vocês puderem evitar esse tipo de doença horrorosa, evitem amiguinhos, porque é uma merda.

Mas então, vamos para o que realmente interessa

Hoje é domingo, e como todo sabemos domingo é um dia chatão. Se domingo fosse uma pessoa eu ia querer dar umas bicuda na cara dela, mas enfim. Geralmente, nesses dias eu faço nada mais nada menos do que nada, MaS hoJe.. por algum motivo… decidi que vou postar e que se dane a preguiça. E então foi que eu vi no blog da cintia disse um post falando sobre destinos dos sonhos nas plenas férias. Consiste basicamente em citar uns lugares legaizinhos e que você gostaria de visitar nas férias. Achei bem maneiro. Então, vamos lá:

1- Amsterdã

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Esse sem dúvidas é um dos destinos que mais tenho vontade de conhecer, e nas férias então seria uma delícia. Não sou muito fã de água nem de barquinho (na verdade não sou), mas sempre quis passear nas margens desse riozinho e vê a paisagem. Além disso, lá tem o museu da anne frank e meus amigos, também tenho o sonho de conhecer aquele museu. Só de imaginar o que eles passaram naquele cubículo me dá uma dorzinha ;( ….. mas enfim, um ótimo lugar para se visitar nas férias <3

2- Alemanha

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Outro lugarzinho bonzão pra mim é a Alemanha, e mais precisamente Berlim. Pra mim, o que mais importa em uma viajem é conhecer, do tipo visitar museus, exposições entre muitas outras coisas e Berlim é o destino perfeito pra se fazer tudo isso. E bom, como uma amante de história, não iria faltar ‘atração’ para visitar :)

3- Nova York

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Um dos meus sonhos desde pequena é conhecer Nova York. Toda essa movimentação de pessoas, carros e poeira sempre me atraiu. E por mais que esse lugarzinho seja mais focado por todos em compras e mais compras, ny tem muito mais a proporcionar. Depois de tanto ver essa imensidão apenas em livros, filmes, seriados e derivados, espero poder finalmente conhecer um dia, e nas férias seria muito bom.

4- Querida Londres

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(não sei se é Londres nessa foto mas se não for, não liguem, porque eu amo essa fotinho e me lembra lá <3)

Tão sonhada londres. Além de ser um dos destinos sonhados para as férias, também é o meu sonho de vida. Assim como Berlim, Londres é recheada de história, e isso amigos é um prato cheio pra a minha pessoa. Tanta coisa pra visitar que é quase impossível se for no espaço de pouco tempo. Espero na minha vez ter bastante <3

Então é isso amizades. Se você também se indentifica comigo pode comentar aqui em baixo, eles sempre são bem vindos! Tchau e até o próximo post ^~^

Cidades de papel | John green

Featured imageQuentin Jacobsen tem uma paixão platônica pela magnífica vizinha e colega de escola Margo Roth Spiegelman. Até que em um cinco de maio que poderia ter sido outro dia qualquer, ela invade sua vida pela janela de seu quarto, com a cara pintada e vestida de ninja, convocando-o a fazer parte de um engenhoso plano de vingança. E ele, é claro, aceita.
Assim que a noite de aventuras acaba e um novo dia se inicia, Q vai para a escola e então descobre que o paradeiro da sempre enigmática Margo é agora um mistério. No entanto, ele logo encontra pistas e começa a segui-las. Impelido em direção a um caminho tortuoso, quanto mais Q se aproxima de Margo, mais se distancia da imagem da garota que ele achava que conhecia.

Bom, cá estou para fazer a minha primeiríssima resenha, e que eu acho que ficará uma bosta, mas vamos ver no que dá.

Não vou negar: há um tempinho atrás, eu nunca imaginava que ia amar esse livro, até porque eu não tinha a menor vontade de ler, mas não sei como nunca o li antes. Uma das coisas que mais me arrependo de não ter feito antes é ler.

Então, vamos lá. Logo no comecinho do livro (no prólogo), vamos ler um pouco sobre onde Margo e Quentin moram, em Jefferson Park. Tudo parece normal para os dois, até que encontram um homem morto no parque. Quentin se mostra desinteressado e meio assustado, digamos assim, e já Margo totalmente ao contrário, chegando bem perto do corpo e tudo mais. Curiosa que nem uma pessoa que eu conheço. Lembrando que os dois o encontraram quando ainda eram crianças.

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Os anos se passam, cada um segue um caminho, cada um segue ideais diferenciados (totalmente) e então já estamos, junto com eles, no terceiro ano do ensino médio e estamos prestes a nos formar. Quentin é aquele típico garoto meio nerd que tem os seus amigos nerds. E Margo, a típica famosinha que tem o garoto mais lindo do colégio. Mas, mesmo com os personagens sendo meio ‘clichês’, isso não significa que a história também seja.

A vida de Quentin está ótima na rotineira tediosa que vive até o dia 5 de maio. Nesse dia é onde Margo Roth Spiegelman salta na sua janela vestida de ninja pronta para uma aventura em dupla, se ele aceitar é claro. E então, ele aceita. Juntos irão a supermercados, invadir propriedades e outras coisas mais. Sem dúvidas foi uma noite a ser relembrada por Quentin, uma noite inesquecível.

Pois é. Assim como essa noite, o paradeiro de Margo também talvez pudesse ser inesquecível.

Logo na manhã seguinte, Quentin está com esperanças que ele e Margo tenham mais proximidade em conta da aventura em que viveram. Mas não foi dessa vez. Não foi porque misteriosamente, Margo desaparece.

De primeira, não fez um impacto tão grande, mas quando os dias se passam e nada da Roth voltar, todos começam a ficar preocupados se perguntando se talvez ela não já estivesse morta. Como ninguém tenta dar continuidade a investigação, nem mesmo os pais de Margo, Q decide tomar esse papel por conta própria através de pistas, poemas, portas, pequisas e tudo que se possa imaginar, ou talvez quase tudo. Então, é a partir daí que a história se desenrola e passa a ficar interessante.

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Em relação aos personagens, não tenho muito o que reclamar. Confesso em que várias partes eu soltei umas risadas. Os colegas de Q são realmente engraçados e divertidos, tipos de garotos que seriam legais em ter como amigos. O que eu as vezes me irritava um pouco era o Ben, mas não deixa de ser um personagem bacana. Até o próprio Q eu gostei bastante, mesmo em certas situações ele sendo meio zzz.

Já Margo, eu me surpreendi. Como o livro é narrado pelo Quentin, o que sabemos dela é o equivalente ao que ele sabe, então aos poucos você vai conhecendo um pouquinho mais. Ela tem um estilo rebelde e largado, misterioso e sensato e foge daquele típica menininha fofa. Não sei vocês, mas eu amo personagens assim. Até mesmo através das pistas que ela elabora, dá pra ter uma noção pequena sobre ela. Mas, mesmo ela sendo desse jeito toda louca, é sem dúvidas uma ótima garota. Eu me identifiquei bastante com ela e entendo esse sentimento de se estar preso, de se sentir que está em uma cidade de papel com pessoas de papel.

Sobre a história: incrível. Mesmo me arrastando no meiozinho do livro, ela é simplesmente genial. Te faz refletir diversas vezes com simples frases ou até mesmo com analogias. Te faz pensar sobre até que ponto você realmente conhece a pessoa, se você a está olhando pela janela aberta e não para um espelho, se está sentindo a dor do ferido. Te faz analisar sobre como se aonde você vive pode realmente vir a ser uma cidade de papel. Te faz se perguntar se realmente vale a pena uma vida chata planejada, sem adrenalina.

Mesmo o finalzinho ter quebrado um pouco do meu coração, é sem dúvidas um livro que eu recomendo demais. Até mesmo na hora em que Q não para de ler aquele maldito ‘canção de mim mesmo’ que já estava começando a me dar nos nervos, vale a pena a leitura.

nota: 4/5

Já leu? Quer ler? O que achou do livro? Deixe nos comentários :)

i want books #1

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Oie amizades, tudo bem com vocês?

É  a primeira vez que falo de livros aqui, mas com certeza não será a última. Nesse post eu vim trazer uma lista dos livros que eu não quero ler, que eu necessito ler. Eu até poderia dizer que isso aí é um bookhaul, mas eu não tenho nenhuma certeza se irei conseguir ler todos bonitinhos em um prazo, então vou apenas fazer uma lista.

Com isso, eu estou criando uma série chamada “i want books”. Sim, eu sei que eu sou estranha. Mas ok, vamos aos respectivos livretos:

1- jackaby

Abigail Rook deixou sua família na Inglaterra para encontrar uma vida mais empolgante além dos limites de seu lar. Entre caminhos e descaminhos, no gelado janeiro de 1892 ela desembarca na cidade de New Fiddleham. Tudo o que precisa é de um emprego de verdade, então, sua busca a leva diretamente para Jackaby, o estranho detetive que afirma ser capaz de identificar o sobrenatural.
Contratada como assistente, em seu primeiro dia de trabalho Abigail se vê no meio de um caso emocionante: um serial killer está à solta na cidade. A polícia está convencida de que se trata de um vilão comum, contudo, para Jackaby, o assassino com certeza não é uma criatura humana.
Será que Abigail conseguirá acompanhar os passos desse homem tão excêntrico? Ela finalmente encontrou a aventura com a qual tanto sonhara.

uma pequena pausa: esse livro é com certeza a prioridade da minha lista, porque mano genTe olhem essa capa e essa sinopse. E o pior é que o prazo para lançamento é dia 11/06 (pela saraiva) desse mês. Deus, faz passar rápido, pofavo.

2- gelo negro

Britt Pfeiffer passou meses se preparando para uma trilha na Cordilheira Teton, um lugar cercado por natureza e cheio de mistérios. Antes mesmo de chegar à cabana nas montanhas, ela e a melhor amiga, Korbie, enfrentam uma nevasca avassaladora e são obrigadas a abandonar o carro e procurar ajuda. As duas acabam sendo acolhidas por dois homens atraentes e imaginam que estão em segurança. Os homens, porém, são criminosos foragidos e as fazem reféns. Para sobreviver, Britt precisará enfrentar o frio e a neve para guiar os sequestradores na descida das montanhas. Durante a arriscada jornada em meio à natureza selvagem, um dos homens se mostra mais romântico do que perigoso, e Britt acaba se deixando envolver. Será que ela pode confiar nele? Sua vida dependerá dessa resposta.

3- o pequeno príncipe

O Pequeno Príncipe é uma fábula. Ou se preferirmos, uma parábola. Não é um livro para crianças, porque traz justamente a mensagem da infância, a mensagem da criança. Essa criança que irromperá de repente no deserto do teu coração, a milhas e milhas de qualquer região habitada. A menos que não queira ver, a face do Pequeno príncipe, a face de um outro, coroada com os espinhos da rosa…. Este livro é também um teste. É o verdadeiro desenho numero 1. Se não o quiseres compreender, se não te interessas pelo seu drama, fica aqui a sentença do príncipe: Tu não és um homem de verdade. Tu não passas de um cogumelo.

uma pequena pausa 2: as vezes, quando eu paro e penso, me sinto culpada por não ter lido esse livro na infância mas por outro, penso que se o lesse agora, poderia até ser melhor pois eu entenderia e levaria mais a sério. Sei lá, só sei que eu tenho a obrigação de lê-lo.

4- diário do subsolo

É difícil ler o “Diário do Subsolo”: é doloroso aceitá-lo. Com uma precisão quase clínica, Dostóiévski traça neste livro o perfil de uma pessoa que, marginalizada social e moralmente, procura vingar-se do mundo inteiro ao qual atribui a sua humilhação. “Sou um sujeito maldoso!” – reconhece o “homem do subsolo”, antecessor dos misantropos por opção do século XX, e sua maldade se volta, desenfreada, contra os inocentes e, muitas vezes, contra ele próprio. A rebelião existencial do indivíduo reduzido à condição de uma “reles mosca” dá início à minuciosa análise das questões cruciais de poder, justiça e liberdade, cujo frágil equilíbrio se reveste de especial importância em nossa época de revisão e contestação dos valores eternos. Abordando-as de modo lúcido e cortante, o gênio das letras russas deixa à humanidade seu aviso atemporal – Cuidado com o subsolo da alma, que suas portas estão sempre abertas!

5- extraordinário

August Pullman, o Auggie, nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma severa deformidade facial, que lhe impôs diversas cirurgias e complicações médicas. Por isso, ele nunca havia frequentado uma escola de verdade… até agora. Todo mundo sabe que é difícil ser um aluno novo, mais ainda quando se tem um rosto tão diferente. Prestes a começar o quinto ano em um colégio particular de Nova York, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros.

6- e o que vem depois?

Para Adrian Thomas, a ideia de passar seus últimos anos sucumbindo a uma doença degenerativa era mais desesperadora do que a morte em si. A caminho de casa, refletindo sobre seu fim iminente, presencia um sequestro. Uma jovem é posta num furgão e levada embora às pressas. Desacreditado pela polícia ao relatar o caso, Adrian resolve agir por conta própria… e ele precisa ser rápido, antes que não reste mais tempo. Em algum lugar obscuro, Jennifer Riggins é mantida prisioneira por um casal que mantém o site “E o que vem depois?”, no qual os usuários podem decidir sobre o destino das vítimas. Jennifer é submetida ao sadismo deles, e sua angústia é transmitida ao vivo para o deleite de milhares de mórbidos espectadores.A única esperança para esta jovem que apenas começou a viver reside nesse homem cuja vida se aproxima do fim.

Bom, o primeiro iwb do ano e espero que tenha bastante. Se já leu algum desses sinta-se a vontade pra falar um pouquinho dele aqui, ou se também se interessou em algum livro e ainda não leu, pode comentar também moço(a). Tchau, até o próximo post c:

incomplete

Em uma fração de segundos e você já desapareceu, assim do nada. Mas parece que foi ontem que eu não parava de pensar naqueles cabelos bagunçados que talvez tivessem me desamparado na primeira vez. Mas como assim moço, como assim você saiu do nada sem rastros nem pistas? Eu estava em um meio caminho andado, tropeçando à toa nas pequenas pedras que eu encontrava no trajeto, estava em uma passagem incompleta.

Até agora eu não sei como consegue ser tão alto. Os seus pensamentos deveriam estar muito acima dos céus, ou de algo que o suportasse no solo. E esses seus ombros largos? Aqueles estariam prontos para um combate contra os perigos inúteis. O modo como se submete a sua coluna era de causar arrepios no meu corpo e distorções na minha mente. Inclusive a minha alma, que tal altura estaria congelada por apenas os seus movimentos. Não sei mais o que imaginar. Mas como assim você se foi? Como assim os seus passos não conseguiram emitir nenhum som? Não precisaria ser tão profundo, mas ao ponto de prender a atenção dos meus nervos. Eu não consigo entender. Uma hora parece que tudo está indo bem quando, de repente, num estalo silencioso, tudo desapareceu, me acordando para a minha insana realidade.

Eu não sei do que você gosta, o que você pensa quando está andando solitário ou o que imagina quando o choro das pobres nuvens paira na sua janela. Eu não sei. Não sei porque no fundo eu sou fraca e pouco destemida. Talvez nada do que eu escrevi aqui faça algum sentido, mas saiba que na minha cabeça e no meu olhar fizeram. Mas é claro que não é possível detectar, porque os sentidos não se deixam levar muito.

Mas eu só não entendo como tudo o que acontece comigo passa rápido demais. Tudo o que é bom pra falar a verdade. Mas eu também não consigo compreender como todo esse conjunto composto por lábios visivelmente galácticos, um cabelo desgrenhado, ombros prontos para o combate, o andar insolúvel, o olhar vibrante puderam sair assim, sem nenhum rastro de vida, nenhuma pista pra mim. Mas moço, tenha certeza de uma coisa: assim como o seu conjunto humano se dissipou, todos os meus breves sentimentos foram junto com você, e que talvez possam voltar mais rendidos.

street boys

2 provas hoje. Uma eu fui super bem e na outra um belo desastre. Nesse caso nem “belo” poderia ser, mas vamos fingir que foi. Tratei logo sair de lá. Saí. Com certeza hoje foi um dia bizarro. Desde o início da manhã até agora. Pois é moços.

Virei a esquina e fui andando um pouco mais, e mais. Gosto de chamar de o “trajeto da solidão”, porque todos os dias eu passo por ali sozinha. Mas eu não me incomodo, é até melhor. Porém geralmente eu passo totalmente desconectada, enterrada em outro mundo paralelo (até chegar na outra esquina para atravessar) e parece que hoje não foi bem assim. Bem, como sou uma pessoa totalmente não medrosa, escutei uma voz que parecia ser de um garotinho. Não pequenininho, porém grandinho. Tudo com inho porque sim. Logo que escutei um “ei, garota” já tive um pequeno infarto e fui pro céu e voltei nos mesmos segundos.

Eu tinha duas hipóteses: ou era um cara tentando me assaltar com uma arma na mão ou era alguém conhecido com uma voz irreconhecível. Errei feio. Lógico que não respondi na primeira chamada, mas resolvi deixar de ser idiota e olhar para trás. Havia um menino e mais um menino. Dois meninos. Parabéns para mim sei fazer conta de matemática, palmas senhoras e senhores, acabo de ganhar na vida.

Dois garotinhos. Estranhei. Estranhei porque se ao menos quase ninguém fala comigo no dia a dia, quem dirá no meio do meu trajeto. Mas tudo bem. Era um menino mais ou menos alto, moreno, magrelo e simpático. Nada mal. Se fosse um pouquinho mais velho seria melhor. 12 anos que ele tem, aliás.

Logo foi perguntando se eu estudava no mesmo colégio. Respondi que sim, que estudava no mesmo inferno. Mentira, apenas confirmei, vai que ele me acha uma satanista. Um pouco depois, me perguntou coisas do tipo qual o seu nome e em que ano você está. Respondi também. Um pouco mais a frente, surgiu um papo de família que sinceramente, não sei como surgiu. Esse menino é bem rápido, aliás.

Junto dele também tinha um menininho com o mesmo uniforme só que de cor diferente. Era bem pequeno, gordinho com um cabelo meio espetado e tinha sardas. Uma gracinha. Bem rápido também por sinal. E o engraçado é que logo quando vemos as crianças nós pensamos em inocência. Apenas pensamos. O garotinho é bem mais esperto do que eu imagino. E meio arrogante também, mas ficou no ar.

Decidi entrar um pouco na onda do interrogatório e perguntei se eles gostavam de alguma matéria. Os dois disseram “não”, risos. Talvez não estivesse tão conformada porque logo depois perguntei se ao menos eles não gostavam de educação física, já que tem futebol e esses troço aí. Balançaram a cabeça. Estranhei. Também não me perguntaram se eu gostava de alguma matéria, mas respondi mentalmente para mim mesma que amava história e artes. Que decadência ein filha.

O papo não demorou muito. Andamos mais uns 5 minutos e eu seguia um caminho para um lado e eles para outro. Talvez o menino só tenha me chamado para acompanhar eles no caminho, com medo de acontecer algo, ou talvez tenham gostado de mim (aham, sei). Ou do meu suéter preto. Nunca saberemos. Só sei que talvez o meu trajeto hoje não tenha sido tão solitário assim. E sei que devemos perguntar aos nossos professores de geografia como se saltita.

sky full of emotions

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Já são 00:07 no relógio. Eu deveria estar dormindo mas não consigo. Talvez fosse o café que tomara horas antes, o que aconteceria no futuro, ou talvez ele mesmo. Ando, ando e ando pelo quarto como se procurasse algo, alguém.. Dele. Decido então finalmente me sentar no batente da janela e olhar para o céu. Está vasto. Talvez chovesse mais tarde. Observeio-o mais um pouco e li um trecho de uma história para ele, que por coincidência era citado. Não gostava de vê-lo desse jeito. Uma estrela aqui, outra ali e os pensamentos já invadem minha mente novamente. Está delicadamente desenhado. Desde criança tenho o costume de rezar apoiada na janela e logo após terminar, olhar para os céus e imaginar quais planos ele me guarda. Na verdade, ele sempre foi o meu melhor amigo.

Meus piores micos, minhas danças em frente ao espelho nos dias felizes, minhas preces, meus segredos, minhas lágrimas derramadas, tudo é ele que escuta, é ele quem vê, e que talvez sinta. Nos piores dias, eu desligava tudo, deixava tudo escuro para ter um momento entre nós, eu e o meu querido céu. Olhava-o e minhas lágrimas secavam rapidamente. Pode parecer uma grande besteira mas nem mesmo palavras as vezes me deixavam melhor, o meu remédio é apenas observá-lo.

Tem dias que ele também chora e me sinto mal por não poder fazer nada. Sem dúvidas um dos piores sentimentos é ver alguém que ama chorando e não poder mover um polegar para ajudar, que no meu caso seria algo. Nos dias ensolarados, ficava alegre por ele, estava bem. Apesar de não gostar nem um pouco do verão, fico feliz por ele. Todo azul, sem nenhuma nuvem em vão, totalmente limpo de pensamentos que o sobrecarregam. Há dias em que dele sai a neve. Toda a cidade vira uma espécie de paraíso congelante e fica perfeitamente coberto, como se estivesse protegida pela coberta dos anjos. Para mim, uma das melhores vistas que tenho da minha janela.

Mas, afinal, mesmo ele sendo apenas um espaço infinito no qual se movem os astros, será que os meus sentimentos também se movem? Será que ele também fica feliz ao me ver? Isso é o que nunca irei descobrir, mas espero que quando finalmente visitá-lo, ele me escute e que me sinta, como sempre acontecia lá na sétima janela.

Sara Herranz: the illustrator of modern love

Featured image Oie amizades, tudo bem com vocês? Bom, hoje eu vim falar de ilustrações, mais precisamente de desenhos. Certo, aqui no blog e nem em outro lugar da vida eu mencionei que adoro desenhos e então a partir de hoje estou assumindo, sim eu amo desenhos. Lógico que não sou a louca dos animes ou vivo desenhando por aí, mas eu considero o desenho uma arte, que por sinal é uma arte muito linda, e hoje gostaria de compartilhar com vocês o meu novo vício: as ilustrações de sara herranz. Um belo dia navegando pelo we heart it, vi alguns belos desenhos na timeline e descobri a grande figura que tem uma forma única de se expressar. Vasculhei mais e hoje não consigo parar de salvar essas obras. Featured image E dentre tantas obras fantásticas por todo o mundo, estão as delas presentes no meu coração. Sara, também jovem, passando por dificuldades, processo de identificação e talvez desilusões amorosas, decidiu através dos desenhos expressar todos os seus sentimentos. Por meio de um fundo branco e linhas pretas, com seu jeito simples ela expressa o amor, o sexo, melancolia e principalmente características únicas de seus personagens, que na maioria transmitem uma crítica ou ironia ao “amor moderno”. Seja um casal apaixonado ou uma moça lendo um livro, Sara traça exatamente o sentimento que o personagem quer passar. Não só os traços pretos como pequenos detalhes como um batom vermelho realçam a sensualidade da personagem, ou talvez a barba do belo moço que exala elegância. Featured image Featured image Featured image E com todo esse talento, alcançou muitos sucessos, inclusive o lançamento do seu primeiro livro de ilustrações ‘Todo lo que nunca te dije’. Em entrevistas, Sara vinda diretamente de Madrid diz que suas inspirações são simples acontecimentos do cotidiano. E toda essa simplicidade, tanto nos desenhos quanto em si mesma, me encantam. Featured image Nas redes sociais, não só apenas compartilha suas ilustrações como posta textos ou frases relacionadas que nos levam a reflexão, o que é muito interessante e capta o leitor. Se você também gosta de suas ilustrações, pode acompanhá-la no facebook, instagram, twitter, tumblr entre vários outros. Vale a pena ter esses tesouros na timeline, não é mesmo? É isso lindos, tchau e até o próximo post 。◕‿◕。

Tag “know your blogger”

Oie amizades, tudo bem com vocês?

Não acho que a minha falta tenha feito tanta diferença assim, mas, eu senti muita falta de escrever! Não sei porque mas me sinto um pouquinho mal quando deixo o blog de lado. Tanta coisa pra fazer e pra se preocupar que acabo esquecendo daqui ☹ mas prometo que ainda vou conseguir me organizar (ou não) djhiofs.

Bom, nunca cheguei a falar muito sobre mim aqui, na verdade nada, mas hoje darei um passo a frente em relação a isso. Estava dando uma olhadinha básica em um dos meus blogs favoritos, o querido Serendipity by melina sz e vi a tag “know your blogger”. Achei super interessante e como faz bastante tempo que não posto aqui, decidi responder a tag. Ok, vamos lá 。◕‿◕。

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Antes de tudo, nessa tag é necessário dizer 11 fatos sobre você, responder 11 perguntas feitas pela pessoa que te indicou e indicar mais 11 blogueiras MaSs, como sou rebelde só irei dizer 11 fatos aleatórios sobre mim pois não fui indicada e não conheço 11 blogs então,, achei tão simpático que decidi arriscar.

1- apesar de eu parecer tímida, fofinha e carinhosa, não chego perto disso. Você pensa isso de mim até me conhecer bem, risos.

2- você pode até me achar louca mas eu gostaria muito de poder voltar no tempo e viver certos momentos importantes no mundo. Queria poder viver em outros séculos e ver como realmente eram a vida das pessoas. isso explica o fato da minha pessoa amar história.

3- antes eu odiava ler e qualquer coisa que estivesse relacionada a romance eu quase vomitava. hoje em dia fico catando onde tem uma estante de livros e amo filmes/livros que envolvam amor. Parece que o mundo dá voltas não é mesmo queridinha?!!

4- se o seu objetivo é me acalmar, me dê uma caixa de pizza com borda recheada.

5- eu simplesmente amo frio e chuva. Ao contrário de muita gente, a chuva me acalma e as minhas idéias fluem melhor. ai gente não tem coisa melhor que ficar enrolado no cobertor comendo besteira (っ◔◡◔)っ

6- as minhas melhores idéias sempre surgem em momentos aleatórios ou antes de dormir.

7- um dos meus grandes sonhos é morar em londres. e não pensem que é só por causa da bandinha que eu sofro, eu realmente sou fascinada pela história de londres. Desde a sua fundação pelos queridos romanos.

8- além de querer ser fluente em inglês, quero muito aprender outras línguas como o japonês, alemão e francês.

9- amo observar o céu quando ele está estrelado.

10- não consigo ficar um dia sem ouvir música.

11- não suporto esporte, mas adoro patinação no gelo.

・。。・゜☆゜・。。・゜Bom, foi isso amizades. Fatos bem aleatórios sobre mim, mas isto é apenas o começo. Até o próximo post ・。。・゜☆゜・。。・゜

Duas partes

Featured imageA mesma rotina de sempre: acordar com um despertador ensurdecedor, escovar os dentes, preparar a mochila, tomar o café da manhã e pegar o ônibus lotado de alienados. Sempre assim, a minha vida era mesmo um tédio. Mas, não sei porque, de alguma maneira eu senti que algo diferente iria acontecer hoje. Obviamente eu não prevejo futuro, mas foi por parte de minha intuição. Bom, não é todos os dias que me sinto assim mas resolvi deixar pra lá. Geralmente nada tem importado tanto assim pra mim.

E la estava eu, com a típica saia preta do colégio, minha blusa branca e os meus pares de tênis all star esperando impacientemente o ônibus chegar. Olho para um lado e já avisto um casalzinho se agarrando, e do outro um grupinho fazendo piadinhas e rindo de qualquer coisa. Provavelmente era sobre mim, já estava acostumada com esse tipo de coisa. Nem era mais uma surpresa.

Confesso que sinto muita falta dos tempos antigos, ou até mesmo da infância. Quando criança eu tinha dois grandes amigos. Gracie e Edward. Nossa, só de pensar nesses nomes me dá uma grande agonia. Gracie, uma menina linda de olhos castanhos e CABELOS um pouco abaixo dos ombros. Usava óculos garrafão mas mesmo assim nunca conseguiram tapar a beleza que havia em seus olhos. Tão pequena e tão ingênua. Deus, como o tempo passa rápido!

Seu pai foi promovido e teve que se mudar para outro país, e consigo levou toda a família. Ela insistiu muito pra que ficasse, mas nem idade pra se sustentar tinha. Era apenas uma criança, assim como eu. Na última vez em que tive contato com ela foi através do skype, um ano atrás. Ela continuava linda, mas sem o famoso óculos. Sinto tanta falta dela, de tudo o que faziamos e principalmente quando íamos em um parque que ficava pertinho da casa dela. Foi um pedaço da minha história que se foi.

Já fizemos muitas promessas. Que um dia iremos nos visitar era a principal. Não sei se isso vai demorar, espero que não. Mas tenho medo, tenho medo dela me esquecer. De esquecer de tudo o que passamos juntas. Isso realmente me preocupa.

Já Edward era totalmente diferente de Gracie. Ele era super extrovertido, falava com todo mundo e era muito brincalhão. Loirinho com olhos azuis, sim era lindo! Na época em que nos conhecemos ele apenas pediu uma caneta emprestada. Incrível como pequenas situações podem mudar completamente nossa vida. E foi assim, fomos conversando, trocamos contatos e viramos praticamente irmãos. Confesso novamente que chegou uma época em que eu comecei a gostar dele, mas nada tão profundo. Ele também gostava de mim, mas sempre como amiga, e eu, a mesma coisa.

Porém a frase “incrível como pequenas situações podem mudar completamente nossa vida” também tem seu lado ruim. Foi tudo muito de repente. Eu estava estudando química com Gracie no meu QUARTO quando recebo uma ligação. Naquele dia ed viajaria de CARRO com seus pais para visitar sua avó mas acabou numa grande tragédia. O pais ficaram com pequenas lesões em todo o corpo, mas ed infelizmente não sobreviveu. Quando escutei a mãe dele desesperada falando comigo eu não consegui, eu comecei a chorar muito. Muito mesmo. Quando ela me ligou eles já estavam no hospital quando receberam a notícia. Eu não conseguia acreditar, minha mente não processava direito. Eu soluçava sem parar, meu chão parecia estar desabando, desaparecendo. Eu me senti vazia, até hoje me sinto. Eu estava acabada. Gracie também chorava muito e nós duas nos abraçavamos muito forte. Nada seria mais a mesma coisa sem ele.

Ele me alegrava nos piores dias. Apesar de ser desastrado e brincalhão, era uma pessoa maravilhosa, um anjo com os olhos da cor do céu. Eu simplesmente queria acordar daquele pesadelo, mas era impossível. A partir daí era como se a minha vida não fizesse mais sentido. Eu olhava para a cadeira do meu lado e não havia ninguém. Apenas alguns rabiscos deixados por ele e uma grande história, na verdade várias. Sentia uma imensa vontade de chorar. Como eu queria dar um último abraço apertado nele, pelo menos isso. Me sinto incompleta por dentro e por fora.

“Duas partes de mim se foram, qual será a próxima?” essa é a frase em que penso todos os dias. Depois de dois tiros no meu coração, eu me afastei de tudo e de todos. Eu não tinha mais razão para viver. Eu não sei, eu simplesmente não sei o que aconteceu comigo, com a minha vida. Não tenho mais nada a fazer aqui.

Como sempre, fui a primeira a entrar no ônibus e sentei no ultimo banco. Coloquei minha mochila ao meu lado me certificando de que ninguém iria sentar do meu lado. É melhor assim, acreditem. O céu estava totalmente escuro, carregado. As nuvens se demonstravam frustradas, como se estivessem perdidas , assim como a minha mente. Ainda havia algumas gotículas presas no vidro. Essas eram as minhas lágrimas, e é por isso que sempre gostei de dias assim: escuros, frios e chuvosos pois eles eram os únicos que me entendiam.

Todo aquele barulho de pessoas conversando e risos sobre assuntos fúteis acabavam aos poucos quando aumento o volume da música e me perco nela. Se tem uma coisa que realmente amo é música. Não importa o que eu esteja sentindo, a musica sempre me anima ou me conforta, não preciso de mais nada além de música. Ao longo do trajeto, a voz da Lana Del Rey ecoava em todo o meu corpo e me fazia sair dali. Estava tudo tão relaxante quando sinto uma mão tocar o meu braço. Senti um frio percorrer meu corpo da cabeça aos pés. Abri o olhos rapidamente e quando olhei era o motorista. Ele pediu para eu sair e logo fui guardando os fones e o celular na mochila. Porém algo me chamou atenção. Quando me virei pro corredor havia um garoto alto usando uma jaqueta jeans e tênis all star preto de cano alto com os cabelos perfeitamente bagunçados olhando diretamente pra mim. Minha garganta fez um nó e por um segundo esqueci como se anda.

– Você não vem?

Como assim “você não vem??”, um desconhecido que nunca vi na vida do nada diz isso pra mim? Eu não entendi nada mas rapidamente sai do ônibus rezando para nunca mais dar de cara com esse ser.

A primeira aula era de literatura, uma matéria que não era tão ruim assim, pelo menos pra mim. O professor até que ajudava tornar a aula melhor, graças a deus. Eu sentava na primeira carteira bem no meio da sala. Digamos que eu não sou nerd, eu me esforço bastante para tirar notas boas e tenho de prestar atenção na aula mas as vadias acéfalas sempre dão um jeito de atrapalhar. Juro que dá vontade de jogar uma bomba lá atrás. Voltando, eu fico na frente e não acho tão ruim. Só assim fico longe de muitos vermes dali de dentro. A única pessoa com quem converso ali é a Marie. Ela também não gosta da turma mas diferente de mim ela tem vários amigos. Nos identificamos em vários aspectos e sempre conversamos sobre vários assuntos e nunca me arrependi de ter a conhecido. Pelo menos alguém para me ajudar a sobreviver daquele inferno. Não odeio a escola ou os professores, funcionários.. odeio o tipo de gente que me rodeia. Só sinto vontade de vomitar.

Depois de quatro aulas seguidas o sinal bateu. Marie me deu um abraço e foi pro andar de baixo encontrar os amigos. Eu, como todas as vezes, fico em algum canto do colégio onde ninguém possa me ver, mas hoje decidi ir para o teatro onde há um grande piano no canto do palco na frente de grandes cortinas vermelhas. Quase nunca eu ia pra lá (até porque nem podia sabe..), mas sempre tive medo de ser pega lá dentro mas hoje não me importei, eu precisava esvaziar minha mente.

Eu ainda não sabia tocar totalmente o piano, mas aos poucos eu estava aprendendo. Como eu não tenho um piano em casa e meus pais não podem bancar um pra mim, de vez em quando eu vou lá para treinar minhas pequenas “habilidades” e fugir um pouco da realidade. No teatro eu estava sozinha de corpo, mas não de alma. Eu sinto a presença deles lá. É como se os dois estivessem ali me assistindo e quando acabasse nós três iríamos nos abraçar. Eu literalmente vivo de ilusões e pequenas lembranças.

A melodia produzida pelo piano me fascina. Eu estava tentando tocar not about angels da birdy, que aos poucos entrava na minha mente e eu relaxava um pouco. Estava tudo indo muito bem até que escuto um barulho vindo dos assentos. Não não não, agora não meu deus. Um calafrio percorreu minha espinha e eu simplesmente parei de tocar. Apenas o palco estava um pouco iluminado pelos holofotes. Decidi me arriscar:

– Quem está ai?

Não obtive resposta. Meu desespero aumentou e comecei a suar frio. Eu estava imóvel, não tinha controle dos meus próprios membros.

– Até que você leva jeito -ouvi uma voz masculina soar em meio aquela escuridão. Meu coração parou. Não podia ser quem eu estava pensando, não mesmo.

-Que seja, quem é você? -eu tentei ser bem fria e direta, não queria me aproximar de ninguém.

– Wow, calma linda. Eu apenas te elogiei. Eu não vou te sequestrar e te matar. E aliás, devia me agradecer.

– Olha eu realmente não estou de brincadeira, quem é você?

Fiquei uns 3 minutos esperando alguma resposta, e logo que me deparei, vi um garoto alto surgir em meio a luz que ainda havia no palco. Eu já estava levantada e não sabia como reagir . Provavelmente ele deve ter percebido meu desespero e soltou uma leve risada com as mãos no bolso. Isso fez eu explodir de raiva. Era ele mesmo.

– Posso saber o que faz aqui??

– Te pergunto o mesmo.

– Oi? Querido eu estava aqui primeiro, então você que tem que me dar respostas.

– Opa, então você é a dona desse teatro?

-Cala essa boca e me fala.

-Não te devo nenhuma explicação linda.

-Olha aqui, eu sempre venho aqui e nunca vi ninguém, por que logo hoje você decidi vir?

– Você não vem sempre aqui.

Oi? Como assim ele sabia que eu não ia ali toda hora? Esqueci como se respirava.

– Querido, como assim você sabe que não venho sempre aqui? -retruquei.

– Ué, você não disse que vinha sempre?

– Ok chega, você esta confundindo minha cabeça. Ja entendi qual é a sua. Eu saio daqui e você pode usar o piano ta? Desculpe -disse totalmente fria e impaciente. Eu não queria sair dali, óbvio, mas não tive escolha. Não queria conversar com ele muito menos fazer contato visual.

– E quem disse que eu queria usar o piano? -enquanto ele dizia, se aproximou mais de mim e apoiou os dois braços no piano. Eu estava em pé atrás do banco.

– Então o que faz aqui?

-Talvez por que eu quisesse??

Nos encaramos por alguns segundos quando de repente o sinal toca. Isso me despertou, graças a deus, e logo peguei meu livro de anotações que eu sempre levava pro intervalo. Eu não sei o que deu na minha cabeça, só sei que andei muito rápido, mas não foi o suficiente. Quando ia começar a subir os degraus ele puxou meu braço e me pois de frente pra ele:

– Olha eu sei que isso foi estranho ta? -ele deu uma pequena pausa falando mais devagar- mas eu não vou te machucar, confia em mim.

Meu estômago começou a embrulhar, minhas pernas ficaram literalmente bambas e meu coração acelerava cada vez mais. Eu só naquele instante pude apreciá-lo. Os olhos azuis como o céu, acabei me perdendo neles. Eles estavam totalmente direcionados aos meus. Toda aquela atmosfera estava me causando efeitos estranhos, de todos os tipos possíveis. O que ele queria de mim?