sky full of emotions

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Já são 00:07 no relógio. Eu deveria estar dormindo mas não consigo. Talvez fosse o café que tomara horas antes, o que aconteceria no futuro, ou talvez ele mesmo. Ando, ando e ando pelo quarto como se procurasse algo, alguém.. Dele. Decido então finalmente me sentar no batente da janela e olhar para o céu. Está vasto. Talvez chovesse mais tarde. Observeio-o mais um pouco e li um trecho de uma história para ele, que por coincidência era citado. Não gostava de vê-lo desse jeito. Uma estrela aqui, outra ali e os pensamentos já invadem minha mente novamente. Está delicadamente desenhado. Desde criança tenho o costume de rezar apoiada na janela e logo após terminar, olhar para os céus e imaginar quais planos ele me guarda. Na verdade, ele sempre foi o meu melhor amigo.

Meus piores micos, minhas danças em frente ao espelho nos dias felizes, minhas preces, meus segredos, minhas lágrimas derramadas, tudo é ele que escuta, é ele quem vê, e que talvez sinta. Nos piores dias, eu desligava tudo, deixava tudo escuro para ter um momento entre nós, eu e o meu querido céu. Olhava-o e minhas lágrimas secavam rapidamente. Pode parecer uma grande besteira mas nem mesmo palavras as vezes me deixavam melhor, o meu remédio é apenas observá-lo.

Tem dias que ele também chora e me sinto mal por não poder fazer nada. Sem dúvidas um dos piores sentimentos é ver alguém que ama chorando e não poder mover um polegar para ajudar, que no meu caso seria algo. Nos dias ensolarados, ficava alegre por ele, estava bem. Apesar de não gostar nem um pouco do verão, fico feliz por ele. Todo azul, sem nenhuma nuvem em vão, totalmente limpo de pensamentos que o sobrecarregam. Há dias em que dele sai a neve. Toda a cidade vira uma espécie de paraíso congelante e fica perfeitamente coberto, como se estivesse protegida pela coberta dos anjos. Para mim, uma das melhores vistas que tenho da minha janela.

Mas, afinal, mesmo ele sendo apenas um espaço infinito no qual se movem os astros, será que os meus sentimentos também se movem? Será que ele também fica feliz ao me ver? Isso é o que nunca irei descobrir, mas espero que quando finalmente visitá-lo, ele me escute e que me sinta, como sempre acontecia lá na sétima janela.

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